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terça-feira, 29 de julho de 2014

Gustavo Ioschpe derruba 12 mitos da educação

O economista Gustavo Ioschpe ataca novamente os professores (deve ter um sério problema de trauma na infância) e lança seu novo livro "O que o Brasil quer ser quando crescer". A matéria publicada na revista Veja traz o título "Gustavo Ioschpe derruba 12 mitos da educação".


Será que são realmente mitos?


Entenda a "análise" de Ioschpe e vejam os nossos comentários a respeito.


Juiz suspende por cinco anos direitos políticos de ex-gestor do Fundo Municipal

Ex-gestor também deve deverá ressarcir o dano no valor de R$ 35.396,69, que corresponde a 10% do total contratado

O ex-gestor do Fundo Municipal de Educação de Croatá (a 355 km de Fortaleza), Cyro Leopoldo Souza de Aragão, teve os direitos políticos suspensos pelo período de cinco anos por contratar sem licitação, em 2005. Também deverá ressarcir o dano no valor de R$ 35.396,69, que corresponde a 10% do total contratado, fixado por arbitramento, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Cyro Leopoldo Souza de Aragão deve pagar ainda multa de R$ 20 mil e não poderá contratar com o Poder Público, receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios por cinco anos. A decisão, proferida nessa sexta-feira (25/7), é do juiz Francisco Marcello Alves Nobre, integrante do Grupo de Auxílio do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), para agilizar o julgamento de ações de improbidade e de crimes contra a administração pública (Meta 4 do CNJ).
De acordo com os autos, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) julgou desfavoráveis as contas do ex-gestor referente ao exercício de 2005. Entre as irregularidades, constavam despesas realizadas com empresas de locação de veículos e de construção civil, sem o devido processo licitatório, totalizando R$ 353.966,99.
Por esse motivo, o Ministério Público Estadual (MP/CE), em maio de 2010, ingressou com ação civil pública requerendo a condenação do ex-gestor por ato de improbidade administrativa. Em contestação, Cyro Leopoldo Souza de Aragão disse que as despesas foram precedidas de licitação, quando necessário. Sustentou a inexistência de ato de improbidade administrativa.
Ao julgar o caso, o juiz considerou que “não foram realizados os processos licitatórios necessários às contratações especificadas na petição inicial, ressaltando que o prejuízo ao erário se mostra evidente, posto que, com a omissão apontada, impediu a contratação da melhor proposta pela Administração Pública”.
O magistrado destacou também que “o conjunto probatório dos autos não deixa dúvida da necessidade de responsabilizar o promovido pela prática de atos de improbidade administrativa que causaram prejuízo ao erário, haja vista a malversação do dinheiro público municipal pela não realização de licitações públicas consideradas legalmente obrigatórias”.

Redação O POVO Online com informações do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará
Fonte: http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2014/07/28/noticiafortaleza,3289176/juiz-suspende-por-cinco-anos-direitos-politicos-de-ex-gestor-do-fundo-municipal-de-educacao-de-croata.shtml

domingo, 27 de julho de 2014

Rubem Alves

"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."


RUBEM ALVES



Neste programa dedicado ao pensador Rubem Alves fizemos algumas considerações sobre seus pensamentos sobre a educação e a escola.






VISITE O SITE OFICIAL DE RUBEM ALVES

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pesquisa mostra que alunos perdem um dia de aula por semana devido a má gestão no ensino público

RIO - O mau gerenciamento das salas de aula das escolas públicas no Brasil faz com que os estudantes percam o equivalente a um dia inteiro de ensino por semana. O dado é do novo relatório “Professores excelentes: como melhorar a aprendizagem dos estudantes na América Latina e no Caribe”, divulgado pelo Banco Mundial. 

—A observação das salas de aula no Brasil mostrou que 64% do tempo são direcionados a atividades acadêmicas; 27%, à organização da sala de aula; e 9%, a atividades que não competem ao ensino. O padrão para um bom gerenciamento seria com 90% direcionados às práticas pedagógicas, e 10%, para a organização sala — afirma Barbara Burns, uma das coordenadoras da pesquisa.Ao observar mais de 15 mil salas de aula de três mil escolas em sete países latino-americanos, pesquisadores detectaram problemas relacionados às relações cotidianas entre alunos e educadores — falta de liderança, perda de tempo letivo com assuntos extracurriculares —, além de baixo padrão de formação de professores, ausência de planos de carreira, baixos salários e falhas nas avaliações de desempenho. Tudo isso, somado, explicaria o desempenho ruim dos alunos nas avaliações internacionais. 

Docente bom, aluno adiantado 

O levantamento demonstrou que alunos com os melhores docentes conseguem superar em até 50% o conteúdo previsto para uma determinada série, antecipando tópicos da seguinte. Já nas escolas com os piores professores, a turma chega ao fim do ano letivo com menos da metade do conteúdo planejado. 

A pesquisa também revelou que o desempenho escolar dos estudantes influencia na economia do país. O relatório expõe que, se o México aumentasse o rendimento médio de seus estudantes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) até o nível da Alemanha, seu produto interno bruto (PIB) teria um incremento de dois pontos percentuais. 

— É difícil pensar em um elemento mais importante para ampliar as oportunidades para todos os latino-americanos do que a qualidade da educação — afirma Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a região. 

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) afirma que o Estado não fornece condições para a atuação do professor, e isso é refletido em sala de aula. 

— É inviável um bom rendimento sem formação continuada e com remuneração baixa. O que acontece na sala de aula é um reflexo da falta de estrutura. O professor está entregue a sua própria sorte — afirma Samantha Lopes Maciel, coordenadora-geral do sindicato, que ficou espantada com o índice de “perda de tempo” em sala, mas o vê como um problema de planejamento. — É necessário que o professor tenha um momento na sua carga horária para reunião e planejamento. Quando não existe, isso impacta na relação com os alunos. 

O relatório demonstra a falta de incentivo salarial. O nível de remuneração mensal em 2010, na América Latina, era entre 10% a 50% mais baixo do que a verificada em outras carreiras equivalentes. Essa relação se mantém desde 2000. 

Revisão curricular é necessária 

Para o presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Moacir Feitosa, há uma deficiência na formação, que deveria ser bem mais completa. 

— Do ponto de vista acadêmico, os currículos deveriam ser mais plenos. Falta uma atenção mais intensiva aos objetivos de cada série. A distribuição do tempo fica prejudicada quando se dá atenção a várias demandas e se perde o foco na questão central. Por isso, é necessário revisarmos o currículo para cada segmento — afirma Moacir. 

A atenção mais direcionada é um dos pontos do relatório que demonstram como simples práticas podem gerar resultados. 

— Durante a observação, vimos professores que faziam coisas simples como comentar o dever de casa. Quando cruzamos com os resultados daquela turma em exames, vimos que há uma correlação positiva — afirma Barbara, que enfatiza a necessidade de investimento: — Obviamente, o professor precisa ter condições de trabalho para atuar.

Leia a notícia completa em: http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/pesquisa-mostra-que-alunos-perdem-um-dia-de-aula-por-semana-devido-ma-gestao-no-ensino-publico-13373845

quinta-feira, 24 de julho de 2014

PLANEJAR É PRECISO, EXECUTAR TAMBÉM!
http://www.gazetavaleparaibana.com/051.pdf “

O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação” (LIBÂNEO, 1994. p. 221).

O planejamento é o ato de prever ações para determinadas situações com a finalidade de atingir-se um objetivo. No caso das escolas, planejar é conceber ideias de como atingir o objetivo geral de uma escola, ou seja, de como ensinar. Como aplicar metodologias de ensino que façam o aluno despertar para o interesse de aprender. Isto não é nada fácil, pois requer do professor conhecimentos que, às vezes, a faculdade não lhe oferece.

Há que se buscar o equilíbrio entre os meios e fins, recursos e objetivos. Sempre com vistas ao melhor funcionamento de uma empresa, no nosso caso da escola. Planejar é ainda um processo no qual a reflexão tem um papel importantíssimo, pois dessas reflexões dependem as tomadas de decisões para uma possível ação a ser tomada. (PADILHA, 2001,p.30).

Quando fazemos um planejamento escolar ou de aulas temos que prever os recursos os quais iremos utilizar e quais os recursos dispomos na escola. Com isso evitamos surpresas durante a execução do nosso plano. Tem-se que buscar o equilíbrio entre essas duas forças, pois nem sempre dispomos dos recursos ade-quados para cumprirmos nossos pla-nos e se dispomos de recursos, aí então, nada mais lógico, devemos utilizá-los. Evitar o improviso, pesquisar e executar metodologias adequadas aos recursos que se dispõe e ao público a que se destina deve ser um dos eixos norteadores do planejamento. Ainda deve-se prever, dentro do planeja-mento, a avaliação daquilo que está sendo repassado aos alunos, bem como uma auto avaliação para saber se o que foi planejado está surtindo efeito ou não.

Podemos ainda supor o planejamento como um processo contínuo que a-tenda às necessidades tanto do indivíduo como da sociedade (PARRA apud SANTANA et al, 1995, p.14). De fato, planejar não nos parece um ato único e feito uma única vez e no qual não devemos mexer até o término do ano letivo. Não, no planejamento de-vemos contemplar a possibilidade de replanejar, se necessário, pois estamos recebendo alunos os quais, muitas vezes, desconhecemos suas necessidades.

Além disso, nos parece interessante, antes de planejarmos, fazer uma avaliação diagnóstica desses alunos ingressantes para saber quais as necessidades deles e qual metodologia poderá ser empregada para atingir os objetivos pré-definidos. Segundo Vasconcellos (1995, p. 56), o planejamento tem que ordenar e prever sistematicamente a vida escolar do aluno de maneira que o processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar esteja de acordo com a proposta geral das experiências de aprendizagem oferecidas pela escola ao aluno, através dos componentes curriculares.

É interessante notar que, sistematizar e ordenar toda a vida escolar nos parece um tanto utópico do ponto de vista prático, pois sempre irá haver acordes dissonantes nesta orquestração. Ainda que não se deva dar asas ao improviso, nos parece de bom tom deixar-se um plano B de sobre aviso e,claro contar com um cabedal de conhecimento sólido. Algumas de nossas ações necessitam de planejamento, mas muitas não. Em nossas atividades diárias, estamos sempre agindo, e antecipamos os resultados de nossas ações, mesmo que não estejamos completa-mente cientes dessa antecipação.

Agimos com muito mais frequência do que planejamos, explicitamente, nossas ações: poucas vezes temos consciência de estarmos executando um processo de deliberação antes da ação. Assim que tomamos conhecimento de uma ação, ou quando executamos comportamentos bem treinados para os quais possuímos planos previamente armazenados, ou quando o curso de uma ação pode ser livremente adaptado enquanto ela estiver sendo executada, então, geralmente agimos e adaptamos nossas ações sem planejá-las explicitamente. Uma atividade premeditada exige deliberação quando se volta para novas situações ou tarefas e objetivos complexos ou quando conta com ações menos familiares.

O planejamento também é necessário quando a adaptação das ações é coagida, por exemplo, por um ambiente crítico envolvendo alto risco ou alto custo, por uma atividade em parceria com mais alguém, ou por uma atividade que necessite estar sincroniza-da com um sistema dinâmico. Uma vez que o planejamento é um processo muito complicado, que consome muito tempo e dinheiro, recorremos ao planejamento apenas quando é realmente necessário ou quando a relação custo X benefício nos obriga a planejar. Além disso, geralmente, procuramos somente planos bons e viáveis ao invés de planos ótimos.

É importante que o planejamento seja entendido como um processo cíclico e prático das determinações do plano, o que lhe garante continuidade, havendo uma constante realimentação de situações, propostas, resulta- dos e soluções, lhe conferindo assim dinamismo, baseado na multidisciplinaridade, interatividade, num processo contínuo de tomada de decisões. Esperamos que neste ano o planejamento saia do papel e tome forma dentro da escola. Precisamos que nossos coordenadores e diretores entrem em sintonia com o corpo docente, e que a condução da construção do planejamento seja pedagogicamente viável.

Não podemos mais perder tempo na escola com reuniões sem sentido e dinâmicas sem fundamento. Não podemos mais entregar planejamentos copiados de anos an- teriores sem proposta pedagógica e sem didática. Se servir de exemplo, segue abaixo nossa sugestão:


  •   Abertura das atividades com a retomada dos objetivos do sistema de ensino (Recomendamos aqui uma revisão da Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e a LDBEN 9.394/1996). 
  •   Retomada da legislação especifica do seu sistema de ensino quanto a função da escola. 
  • Comparação entre a legislação e as tendências pedagógicas e teóricos atuais da educação.
  •  Exploração dos PCN’s Temas Transversais (Ética, Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual; Educação & Trabalho). 
  •  Exploração dos PCN’s por área de ensino. 
  • A partir da exploração dos temas transversais, pode ser construído um mapa de conceitos com os temas que são mais urgentes na realidade em que a escola esta inserida.  
  • Discussão do calendário escolar – datas, projetos e eventos
  •  Retomada das orientações curricula-res do sistema de ensino em que o leitor está inserido. 
  •  Materiais disponíveis e infraestrutura oferecida pela escola.
  •  Estratégias de recuperação paralela e continua e organização das aulas. 

 A partir dos tópicos acima, acreditamos que os professores terão maior clareza para iniciar a construção do seu planejamento sem copiar e colar dos anos anteriores. Acreditamos, também, que a coordenação tenha em mãos seus planos estratégicos para o corrente ano para que evite o improviso ao longo do ano letivo.

 A documentação pedagógica estando afinada e de acordo com as necessidades escolares diminuirão os estresses de final de ano, tais como os índices de reprovação e a insatisfação de que os alunos não aprendem na escola pública.

Referências LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. PADILHA, R. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2001. SANT'ANNA, F. M.; ENRICONE, D.; ANDRÉ, L.; TURRA, C. M. Planejamento de ensino e avaliação. 11. ed. Porto Alegre: Sagra / DC Luzzatto, 1995. VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 1995.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Avaliar a Educação

16 de julho de 2014
"É necessário produzir abordagens que combinem as habilidades escolares com as sociais e pessoais, como colaboração, ética e cidadania", afirma Milton Alves Santos

Fonte: Estado de Minas (MG)

O que deve ser avaliado na Educação brasileira? A pergunta é capciosa. O aprendizado que crianças e adolescentes brasileiros têm nas Escolas deveria ser resultado do tipo de Educação a que eles tiveram acesso. Seria simples se aprendizado e Educação não fossem conceitos abstratos, que variam de pessoa para pessoa, dependem da classe social, da Escolaridade, da percepção e, principalmente, da bagagem que cada um carrega consigo. Se cada pessoa atribui valores diferentes para tudo devido à vivência individual, como generalizar o tema? Portanto, na prática, não existe uma resposta única e segura para a pergunta, por isso, a questão merece reflexão.Avaliar significa estabelecer parâmetros de qualidade e a qualidade da Educação está ligada ao projeto de sociedade que cada país quer para si. Nesse sentido, torna-se imprescindível a definição dos objetivos e ambições para a Educação brasileira. De algum modo, isso já está consolidado em nossa constituição, mas precisa ser constantemente reafirmado e esclarecido, pois ainda há resistências em cumprir o que determina a lei.
Na Constituição, o Art. 205 determina que a Educação deve buscar o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A lei diz ainda que a Educação é um direito de todos, um dever do Estado e da família e sua realização deve contar com a participação ativa da sociedade. Há uma grande complexidade nesse artigo porque ele não define o que deve ser avaliado, mas apenas estabelece os objetivos e atores do processo educacional. Afinal, como saber se uma pessoa foi plenamente desenvolvida?
Para a Unesco, o pleno desenvolvimento da pessoa não é uma meta estática que, uma vez atingida, se estabiliza. Pelo contrário. Trata-se de um processo dinâmico que nos persegue ao longo da vida. Sendo assim, o pleno desenvolvimento é alcançado continuamente quando a pessoa satisfaz suas necessidades básicas de aprendizagem.
Essas necessidades compreendem tanto aspectos formais ensinados nas Escolas, como a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, conhecimentos específicos e a solução de problemas, quanto aspectos sociais, que dependem da vida em sociedade para serem transmitidos, como conhecimentos gerais, habilidades, valores e atitudes.
Ainda segundo a Unesco, todas essas necessidades estão submetidas a quatro domínios fundamentais: 1) Aprender a conhecer – a aquisição do conhecimento propriamente dito; 2) Aprender a fazer – o domínio de competências que permitem aplicar o conhecimento em problemas concretos; 3) Aprender a conviver – as habilidades de convívio pacífico, democrático e colaborativo; e 4) Aprender a ser – dependente das três anteriores e materializa os efeitos do pleno desenvolvimento em cada um, tornando uma pessoa mais feliz e apta a enfrentar os vários desafios da vida na sociedade contemporânea.
Diante do exposto, é possível afirmar que as avaliações oficiais medem uma parte do pleno desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes. Basicamente, apenas a parte advinda de suas experiências Escolares.
Um exemplo é o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), uma espécie de Copa do Mundo da Educação realizada a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais ricas do planeta e alguns membros convidados, entre eles, o Brasil. Essas avaliações medem o conhecimento em leitura, matemática e ciências. O resultado ranqueia os países de acordo com seu desempenho em cada um dos itens e, quanto menor o resultado, entende-se que maior deve ser o investimento naquele quesito. Após três anos, uma nova avaliação é feita nos mesmos moldes e o ciclo recomeça.
Por mais que seja aceita a ideia de que é fundamental avaliar essas três áreas do conhecimento, é preciso reconhecer que elas não representam a totalidade do pleno desenvolvimento de uma pessoa. Mantendo a metáfora do esporte, no lugar de uma Copa do Mundo precisamos de uma Olimpíada da Educação, com várias modalidades educativas e não apenas uma pequena expressão de nossas capacidades e necessidades.
Assim, resgatando a pergunta inicial, para determinar o que deve ser avaliado na Educação brasileira, é necessário produzir novas abordagens que combinem as habilidades Escolares com as sociais e pessoais, acrescentando no processo avaliativo temas como colaboração, sociabilidade, curiosidade, ética, cidadania, consumo responsável, gosto pelas artes, respeito aos direitos humanos, entre outros.
Trata-se mais de uma soma do que de uma divisão. Não se propõe o abandono de avaliações como o Pisa, mas a criação de um método de avaliação que integre os campos fundamentais do pleno desenvolvimento, permitindo um novo olhar sobre a Educação brasileira e a criação de um plano de longo prazo para nossa sociedade.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Baixa formação continuada desmotiva professores no Brasil, afirma estudo

Pesquisa do Instituto Ayrton Senna aponta ainda que tutorias como o método mais eficaz

POR 
RIO - Mais de 70% das atividades de formação continuada de professores no Brasil têm baixa eficácia e aplicabilidade, deixando o docente desmotivado e sem tempo para continuar com os estudos. Os métodos mais eficazes, as tutorias, são adotados apenas por 2% das escolas do país. Estas são principais conclusões do estudo “Formação continuada de professores no Brasil”, feito pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) em parceria com The Boston Consulting Group (BCG), consultoria multinacional de gestão empresarial. A pesquisa, inédita, foi divulgada na tarde desta segunda-feira em São Paulo, em cerimônia que contou com a presença do ministro da Educação, José Henrique Paim.

O estudo ouviu 2.732 educadores entre novembro de 2012 e março de 2013, sendo diretores de escolas (51%), coordenadores pedagógicos (18%) e professores (26%). A partir das respostas, a pesquisa identificou os principais entraves para a formação continuada de docentes no Brasil e traçou linhas de ação para a capacitação dos profissionais.
Números do estudo - Instituto Ayrton Senna

Mais de 70% dos profissionais consultados no estudo disseram que as atividades oferecidas em sua escola são de caráter coletivo e “fora da sala de aula”, como acesso a material didático, reuniões pedagógicas e participação em eventos. Para os pesquisadores, esse enfoque em práticas conjuntas e mais distantes do cotidiano escolar “resulta em iniciativas de baixo impacto na melhoria do ensino”.

Ao serem perguntados sobre como suas escolas oferecem formação continuada, 14% disseram que o projeto se dá por oferta de material didático. Outros 14%, responderam que têm horário de trabalho reservado para atividades pedagógicas coletivas, 9% alegaram que mantêm encontros com supervisores e outros 9% afirmaram que fazem cursos a distância.

Em uma das perguntas, foi pedido para que profissionais da área dessem notas de 1 a 5 para os principais desafios da formação continuada, sendo 5 o grau máximo de dificuldade. No topo da lista tanto de professores quanto de diretores ficou a “lacuna de incentivos”, com média geral de 2,9. De acordo com o estudo, isso seria decorrente da baixa percepção por parte de professores e diretores de que a continuação dos estudos pode lhes proporcionar ascensão profissional.

Em seguida, para os dois grupos, os itens que mais atrapalhariam a formação continuada seria a “escassez de tempo” e a pouca “aplicabilidade do conteúdo”. Tanto o professor quanto o diretor convergiriam ainda ao apontar que há falta de priorização de outras iniciativas que não formação, falta de alinhamento das ações de formação continuada e elevada rotatividade dos professores. Esse último item, segundo o estudo, seria agravado ainda pelo alto número de professores com contratos temporários. Dados do Censo Escolar de 2012 mostram que existem 507.166 professores temporários e 1.327.526 efetivos no Brasil.

- Um dos pontos que mais atrapalha é a troca de governos municipais e estaduais. Cada gestão traça um plano de formação continuada, com parcerias de diferentes universidades. E com isso, a cada troca de governo, temos um novo plano. É uma formação 'descontinuada' – critica o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o cientista político Daniel Cara.

As percepções, contudo, não são homogêneas em todos os estados do país. Enquanto profissionais do Sudeste, por exemplo, elegem a escassez de tempo como um dos principais entraves para a continuação dos estudos, em grande parte do Sul e em Rondônia, Tocantis e parte do Nordeste, este é um considerado um “desafio leve”. Por outro lado, se nos estados do Norte, é a alta rotatividade dos professores o maior culpado, no Rio ela seria encarada com mais facilidade pelos educadores.

De acordo com o estudo, as disparidades regionais demandariam abordagens diferenciadas para a formação continuada, inclusive na questão curricular. A pesquisa ressalta que uma das maiores dificuldades seria responder a essa questão: como produzir um material que sirva ao professor de São Paulo e ao do interior da Região Norte?

- Tirando situações que envolvam questões mais neutras como o ensino de fração na Matemática, o ideal seria que cada lugar desenvolvesse suas práticas de formação continuada, obedecendo as realidades locais. No entanto, para que isso ocorra, o MEC tem que estabelecer desde já uma diretriz curricular comum, coisa que ainda não temos – afirma Maria Helena Guimarães de Castro, diretora executiva da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e uma das educadoras que participou do estudo.

TUTORIA PEDAGÓGICA E PLANO DE CARREIRA

Além do panorama geral, o estudo também traça planos para implementar de modo eficaz a formação continuada. Uma das principais soluções sugeridas pelo estudo é a tutoria pedagógica ou professores-tutores nas redes de ensino. O estudo cita ainda o caso da rede estadual de Goiás, que implementou a prática e agora colhe os frutos. Lá, docentes são supervisionados por colegas mais experientes e outros educadores, além de receberem avaliações de desempenho e “feedbacks” e manterem reuniões frequentes com suas equipes pedagógicas. Em contraste, apenas 2% dos entrevistados no estudo disseram receber esse acompanhamento.

Os pesquisadores chamam atenção ainda para a urgência de se institucionalizarem planos de carreira que estimulem a qualificação do profissional. Vale lembrar que essa é uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado mês passado pela presidente Dilma Rousseff.


Natália Souza sabe muito bem a importância dos estudos. Professora de História na Escola Sesc, de ensino privado, e de uma escola municipal na comunidade de Cidade de Deus, no Rio, Natália conta que percebe bem como cada rede lida com a questão da formação continuada. Enquanto na escola particular paga seus estudos de pós-graduação, a rede municipal lhe dá acréscimo de R$ 200 por titulação de mestrado.

- Na rede pública, não há oferta nenhuma. A iniciativa tem que partir de nós. Eu fiz mestrado porque eu quis e porque houve incentivo da Escola Sesc. É uma pena, porque nos sentimos mais seguros ao lecionar depois de um curso de reciclagem – afirma a professora.


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